5 segredos sobre estabilidade emocional que todos os pais deveriam saber

Quer ser feliz por toda a vida? Tenha muitos e bons amigos!” De acordo com o livro “A Ciência dos Bebês”, essa é a máxima da ciência moderna sobre o assunto felicidade.

E para se ter bons amigos, mostramos no post anterior que é necessário se tornar um especialista em regulação emocional e empatia.

A fim de garantir a futura felicidade dos nossos filhos, devemos então desenvolver neles essas habilidades desde os primeiros meses de vida. Contudo, há uma forma certa de fazer isso. Essa forma envolve 5 segredos já comprovados pela ciência como altamente eficazes. Provavelmente você já aplica um ou dois dos segredos e nem sabe disso. Contudo, é importante conhecer e utilizar todos. Vamos conhecê-los a seguir.

Mas antes, uma introdução essencial (com duas dicas adicionais).

Um ping-pong atencioso e paciente

Quando tratamos do tema “relacionamentos”, foi apresentado o conceito de attachment, ou criação de vínculo (evito o termo “criação de apego”, attachment paretting, pois me parece ser uma abordagem diferente). Sem muito rigor, podemos definí-lo como uma relação emocional recíproca entre os pais (mães principalmente) e os bebês, com amor mútuo crescente e respeito às especificidades de cada fase da vida.

O vínculo parental se estreita através de uma variedade de experiências, importando muito o quão atentos estão os pais ao bebê nos seus primeiros anos (embora fatores genéticos pareçam ter um forte papel). Se esse processo ocorre em meio a turbulências, é dito que o bebê está “apegado inseguramente”. Essas crianças, em geral, não são as mais sorridentes do mundo. Suas pontuações em testes de capacidade de resposta social são quase dois terços inferiores aos de crianças “bem apegadas”. Elas mostram menos empatia e tendem a ser mais irritáveis.

Para evitar que isso ocorra com os nossos filhos, os cientistas nos propõem algumas soluções. Uma delas é entender e aplicar a interação síncrona, que é um dos desdobramentos mais importantes da criação de vínculo nos primeiros meses de vida de um bebê. Vamos a um exemplo para explicá-la.

Quem já conviveu com bebês sabe como eles adoram brincar de esconder. Basta escondermos nossa face por alguns segundos e depois reaparecemos na frente deles para ouvirmos uma deliciosa gargalhada.

Todos os pais e mães percebem que durante o esconde-esconde (e em outros momentos) os bebês às vezes ficam aéreos, desligados. O que os pais podem não saber é que durante esse período o cérebro dos bebês está trabalhando para desenvolver a sua estabilidade emocional. Quando os pais respeitam esses momentos, sem forçar nenhuma reação, eles estão realizando a interação síncrona. Apesar de muito simples, essa brincadeira marca um importante estágio do desenvolvimento cognitivo das crianças.

Vejam abaixo um experimento a respeito da interação síncrona, mas para uma situação contrária à descrita anteriormente. Nele, a mãe ignora a presença do filho (quem ficou curioso(a), mas tem dificuldades com o inglês, me procure!).

A criação de vínculo também envolve a interpretação das emoções. Como no visor do Robocop, saber o que seu filho “marca” no mundo, isto é, conhecer as coisas para as quais ele demonstra uma reação emocional, e então responder de forma específica a esse conhecimento, faz parte do processo de attachment e é um dos grandes segredos para se ter crianças felizes.

E além das duas opções apresentadas acima, os pais precisam estar cientes de mais outros dois pontos. Primeiro, a criação de vínculo é um processo lento, que demora anos. Afastar um bebê de perto da mãe após o parto com certeza é uma ação bem desagradável, mas as mães não precisam se entristecer demasiadamente pensando que seus filhos irão amá-las menos por causa disso. Segundo, só o ping-pong “atenção e resposta” não é suficiente. Com o crescimento das crianças e das suas capacidades emocionais e expressivas, os pais vão precisar colocar em prática as duas habilidades citadas na introdução: a regulação emocional e a empatia.

Já vimos em posts anteriores como funciona a empatia. Agora, vamos detalhar, aprofundar e mostrar alguns aspectos da regulação emocional. Mais exatamente, vamos examinar 5 aspectos, 5 segredos que tornam as crianças emocionalmente estáveis.

Emoções no centro

Diariamente, os pais enfrentam muitos problemas na criação dos filhos, mas nem todos eles afetarão o resultado do seu trabalho. Contudo, há pelo menos um que pode fazer toda a diferença. Como você lida com a vida emocional do seus filhos — sua capacidade de detectar, reagir a, promover e fornecer instruções sobre a regulação emocional — tem o maior poder preditivo sobre felicidade futura das crianças. A estabilidade emocional — dos pais e dos filhos — toma o papel central na educação para a felicidade.

Para lidar bem com aqueles momentos nos quais as emoções das crianças se tornam intensas, além da empatia, os pais podem utilizar 5 táticas:

  1. Ter um estilo parental exigente, mas acolhedor;
  2. Sentir-se confortável acerca das próprias emoções;
  3. Rastrear as emoções;
  4. Verbalizar as emoções;
  5. Não ignorar as emoções.

1 — Ter um estilo parental exigente, mas acolhedor

Em meados da década de 60, a Dra. Diana Baumrind, Ph.D. em psicologia do desenvolvimento, publicou um famoso trabalho sobre parentalidade. O esquema é tão robusto que é utilizado até hoje pelos pesquisadores. Baumrind descreve duas dimensões na parentalidade:

  • Capacidade de Resposta: se refere ao quanto os pais respondem (são sensíveis) aos filhos com zelo e aceitação. Pais acolhedores comunicam principalmente suas afeições aos filhos. Pais hostis comunicam suas rejeições.
  • Nível de Exigência: é o grau de controle que os pais tentam exercer sobre o comportamento dos filhos. Pais restritivos tendem a criar regras, sem misericórdia. Pais permissivos agem da forma oposta.

Colocando essas duas dimensões na forma de um quadro bidimensional, podemos identificar os quatro estilos de parentalidade estudados nos trabalhos que seguem a linha da Dra. Baumrind. Só um deles produz crianças realmente felizes…

A teoria de Baumrind foi confirmada em um estudo massivo realizado com milhares de estudantes americanos em 1994. Baseando-se somente no comportamento dos pais, foi possível prever com sucesso os efeitos no comportamento dos filhos, independentemente da etnia.

2 — Sentir-se confortável acerca das próprias emoções

Algumas pessoas aceitam bem novas experiências emocionais, considerando-as uma parte importante e enriquecedora da jornada da vida. Outras pensam que as emoções fazem as pessoas fracas e envergonhadas e que elas devem ser suprimidas. Tudo o que você sente sobre os sentimentos — os próprios ou os de outras pessoas — forma a sua filosofia meta-emocional.

A filosofia meta-emocional pode ter muita relevância no futuro dos seus filhos. Ela prevê como eles reagirão a suas vidas emocionais, o que, por sua vez, prediz como (ou se) eles aprendem a regular suas próprias emoções. Uma vez que essas habilidades estão diretamente relacionadas à competência social, o que sentimos sobre os sentimentos pode influenciar profundamente a percepção da felicidade. Os pais devem sentir-se confortáveis acerca das próprias emoções a fim de deixar seus filhos confortáveis com relação à deles.

3 — Rastrear as emoções

Esse é um hábito que todos os bons pais iniciam desde o nascimento da criança e desenvolvem com o passar dos anos. Eles sabem exatamente quando seus filhos estão felizes, tristes, com medo, ou com raiva. E conseguem ler e interpretar com velocidade e precisão as pistas verbais e não verbais dadas pelas crianças.

Pais rastreadores de emoções não serão tão surpreendidos pelas mudanças de comportamento dos filhos ao longo do seu crescimento.

Contudo, é importante não exagerar. As crianças que se sentem sufocadas pela atenção paterna tendem, paradoxalmente, a se sentirem menos seguras.

4 — Verbalizar as emoções

As pesquisas mostram que o hábito de rotular as emoções é um comportamento dominante entre os pais que criam filhos felizes. As crianças que estão expostas regularmente a esse comportamento têm mais facilidade em se acalmar por conta própria e têm maior capacidade de concentração.

Como já vimos antes, as crianças vão experimentar as características fisiológicas das respostas emocionais antes de saberem o que essas respostas significam. Se os pais não ensinarem aos filhos como reconhecer e verbalizar corretamente as suas emoções e sentimentos, a vida emocional deles se tornará uma confusa cacofonia de experiências fisiológicas.

Um estudo da Universidade de Chicago mostra que crianças com experiência musical (10 anos de estudo e iniciados antes dos 7 anos de idade), respondem com velocidade relâmpago a sutis variações de estímulos carregados de emoção, como o choro de um bebê.

5 — Não ignorar as emoções

Outra ação comum dos pais de crianças felizes é não tentar reprimir as emoções, ignorá-las ou deixá-las de rédea solta sobre o bem-estar da família. Em vez disso, esses pais se envolvem com os sentimentos fortes dos filhos.

Eles têm quatro atitudes em relação a emoções (a filosofia meta-emocional):

  • Eles não julgam as emoções (emoções e sentimentos são diferentes);
  • Eles reconhecem o caráter reflexivo das emoções;
  • Eles sabem que o comportamento é uma escolha, embora a emoção não;
  • Eles vêem as crises como um momento de aprendizado.

Com um pouco de prática, qualquer pai pode ter bastante sucesso no tema felicidade infantil. Alguns estudos mostram, inclusive, que se os pais acertarem 30% das vezes, isto é, mostrarem comportamentos empatéticos nessa frequência, bastará para criarem crianças de bem com a vida.

Coloque em prática

Revelamos cinco segredos que tornarão seus filhos exemplos de estabilidade emocional. E você deve ter ficado mais tranquilo(a) por saber que não é preciso acertar sempre. Basta agora colocar em prática tudo que você aprendeu. Com certeza você fará um excelente trabalho na árdua missão de educar crianças confiantes, emocionalmente estáveis e felizes.

(crédito das imagens: Wikimedia e Flickr 1, 2 e 3)

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